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Por que entrar em uma universidade pública?

Primeiramente por não pagar, pensaram muitos assim que leram a pergunta. Sim, essa é uma justificativa, mas estudar em universidades públicas vai muito além do dinheiro. E sim, todos nós – eu você, seu amigo aí do lado – pagamos pelas universidades públicas por meio dos impostos que estão agregados em tudo o que consumimos no nosso dia-a-dia.

Em segundo lugar vem a questão qualitativa. É claro que existem faculdades e universidade particulares que tem um alto nível qualitativo, aliás, algumas delas – como a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a Escola Superior de Publicidade e Marketing (ESPM) – são tão concorridas quanto as públicas. Mas é claro que em sua grande maioria, a universidade mantida pelo

Estado tem sim um alto padrão de qualidade que ultrapassa a particular. E um dos fatores para que isso seja verdadeiro é que para poder lecionar nessas instituições, o professor tem que prestar concurso, o que garante à universidade profissionais de qualidade que passaram por avaliações para a sua efetivação.

E essa característica é passada aos alunos. As universidades públicas exigem mais do graduando, a leitura é muito mais intensa e a cobrança também. Depois de noites varadas estudando para passar no vestibular, os alunos passam algumas noites varadas estudando na faculdade também! Mas tudo e uma questão de organização.

Outro diferencial que essas têm em relação àquelas é que as públicas têm mais incentivo à pesquisa do que as particulares. Isso se deve por elas visarem objetivos diferentes. Os cursos particulares muitas vezes dão objetivam sobretudo a introdução do aluno no mercado profissional, já nas públicas o aluno além das disciplinas obrigatórias tem também o incentivo a iniciação científica, por exemplo, onde durante o período de um ano em média, o aluno, com a supervisão de um professor, desenvolve um projeto de pesquisa sobre algo relacionado ao seu curso.

Esse estudo servirá tanto para o seu currículo como também para posteriormente, ser usado como base para estudos futuros, como as pós-graduações.

Um ponto que pode também ser considerado como um dos motivos para a escolha das públicas, é o nome que a instituição carrega. Em um processo seletivo, toda e qualquer ponto positivo no seu currículo fará toda a diferença. E ainda mais em carreiras que estão saturadas. É claro, vale lembrar que de nada adianta só ter o nome da instituição no currículo, esse é só um dos tantas características positivas que você tem que ter na hora de cair o mercado de trabalho; é preciso também muito estudo, capacitação e dedicação.

Para exemplificar, a colunista Carolina Correia entrevistou o Tiago Vinício Alves, um aluno da UNESP de Bauru, estudante do terceiro termo do curso de Relações Publicas que saiu de uma universidade particular para vir para a pública:

Carolina: Quais foram suas motivações para sair da universidade para enfrentar o processo de transferência de uma universidade particular (USC) para uma universidade pública?

Tiago: Primeiramente por que na Universidade particular eu não tinha incentivo para

pesquisar e procurar conhecer melhor o mundo acadêmico, era aquela coisa robótica, a gente entrava as 7 saia as 10 e tava bom, mas faltava o incentivo pra pesquisa e pelo prazer do estudo. E o segundo motivo foi pela questão financeira, eu já não estava em condições de pagar a mensalidade e a universidade pública foi a única alternativa. Ou eu me transferia ou eu parava o curso.

Carolina: E na universidade pública você encontrou esse incentivo para pesquisar mais?

Tiago: Sim, logo na primeira semana de curso já me senti familiarizado com o clima da universidade. Os professores falavam sobre a importância da pesquisa na vida acadêmica e como ela poderia dar bons frutos na vida profissional. No primeiro ano tive a oportunidade de escrever meu primeiro artigo cientifico para o Intercom (congresso de comunicação) e agora eu tenho mais vontade de continuar escrevendo.

Carolina: Em relação ao ensino, você sentiu alguma diferença?

Tiago: Senti a diferença no começo sim. Na universidade púbica o incentivo a leitura é bem maior, são muitos textos ao mesmo tempo. Não dizendo que a universidade particular não tinha textos pra ler, mas eram em menores quantidades. Não tenho o que reclamar das faculdades nem dos professores, sempre que posso troco e-mails com todos, mas certamente na pública tenho e terei uma maior bagagem bibliográfica e maior experiência.

Carolina: Futuramente quando se formar, você acha que ter feito um curso superior, ter se especializado em uma profissão, ainda mais numa universidade conceituada como a UNESP, lhe proporcionará uma boa qualificação no mercado de trabalho?

Tiago: Sim. Fazer uma faculdade hoje é um diferencial para uma boa colocação e qualificação no mercado de trabalho. Eu tenho a seguinte opinião de que é o aluno que faz a faculdade e não a faculdade que faz o aluno. Tudo dependerá de como o aluno de comportará na sua formação.

Carolina: Que dica você oferece pra quem queria prestar vestibular esse ano?

Tiago: O melhor é estudar as matérias que você tem mais afinidade e também pela a área de especialização: Humanas (Geografia, História, Português), Exatas (Química, Física, Matemática) ou Biológicas (Química, Física, Matemática, Biologia). E nunca ter medo de procurar estudar aquilo que gosta. Fazer um curso só porque ele dá dinheiro pode não ser a melhor escolha, quando se faz o que gosta, o dinheiro vem com o sucesso e reconhecimento

Então alunos, mãos a obra, pois o ano já começou e os vestibulares de meio de ano já estão chegando! Bons estudos e boa sorte!

Por Carolina Vitória

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